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A Copa do Mundo de 2022 pode ser a primeira em que um dos países-sede não participará. O Qatar, que desde 2010 ganhou o direito de receber a competição, está garantido mesmo se o formato inchar de 32 para 48 participantes, como quer a Fifa. Só que para isso funcionar será preciso que outras nações da região recebam jogos, e aí começa o drama: não está garantido que esse co-anfitrião ou co-anfitriões se classificarão automaticamente, como ocorre nas Copas desde a primeira edição em 1930.

O relatório elaborado pela Fifa que dá aval ao aumento de seleções já em 2022, aprovado em março pelo Conselho da entidade e que será votado definitivamente em junho pelas associações membros no Congresso de Paris, deixa claro: somente o Qatar já tem vaga assegurada. Outros países-sede terão que ter essa classificação aprovada pelo Conselho da entidade, o que promete ser uma batalha. Já há pressão de alguns países asiáticos contra o lugar automático para as nações que toparem dividir a hospedagem da Copa com o Qatar. O motivo: diminuiria ainda mais o número de posições disponíveis ao continente na Copa. Ou seja, as seleções desses co-anfitriões teriam que brigar pela vaga na eliminatória e podem não se classificar.

Se o torneio no Qatar inchar, o que é a tendência hoje, os protocolos de organização devem seguir o modelo que já foi aprovado para o Mundial de 2026, que será dividido entre EUA, México e Canadá e terá 48 seleções na disputa. Isso inclui o número de vagas para cada confederação e um detalhe importante: o país-sede “rouba” uma das vagas destinadas a seu continente, ao contrário do que acontece atualmente. A Rússia em 2018, por exemplo, se garantiu como sede e a Europa manteve as outras 13 vagas. Imaginando que o Qatar fosse sede única da Copa-2022 inchada, a AFC (Confederação Asiática de Futebol) teria sete em disputa direta e duas na repescagem, em vez de oito diretas. Se dois coanfitriões entrarem sem passar pela eliminatória, essas vagas diretas cairiam para cinco, o que não agrada as potências do continente como Irã, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Japão e Austrália (que na geografia da Fifa faz parte da Ásia).