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Sentado diante de jornalistas de vários países, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, apresentou com orgulho os números e recordes batidos pela Copa do Mundo de 2019, dois dias antes da final. Após um discurso entusiasmado, mostrou cinco propostas que considerou ”fundamentais” para desenvolver e valorizar o futebol feminino nos próximos anos.

Mas a imagem e as palavraras que marcaram o fim do Mundial da França não foram de promessas ou elogios. Ao ser anunciado para a premiação após a vitória dos Estados Unidos sobre a Holanda, Infantino ouviu vaias das arquibancadas de Lyon. Na sequência, um coro que, sem dúvidas, ficará nas história das Copas tanto quanto os números apresentados pela entidade:

”Equal Pay! Equal Pay”, pediam. No português, ”pagamentos iguais”.

Um constrangimento que tem um significado especial para as atletas que disputaram o Mundial ao longo dos últimos 30 dias. E não só para as americanas – a brasileira Marta jogou todo o torneio com uma chuteira pedindo igualdade de gênero.

– Estamos todos cientes disso. Os torcedores querem, as jogadoras querem. Acho que os patrocinadores também. Vamos ao próximo ponto. Como apoiamos as federações e os programas pelo mundo? O que a Fifa pode fazer? – questionou a melhor jogadora da Copa, Megan Rapinoe.

Nas medidas anunciadas para o futuro próximo, Gianni Infantino citou que a entidade pretende dobrar as premiações na próxima Copa. Neste ano, foram destinados 30 milhões de dólares. Com a proposta da Fifa, esse valor chegará aos 60 milhões.

Segue muito atrás dos 400 milhões de dólares da Copa da Rússia 2018. E vale ressaltar que o prêmio para o Catar 2022 também haverá aumento nos valores dos homens.

Talvez a principal porta-voz deste Mundial, Rapinoe já havia questionado o abismo entre as premiações antes da final. A americana, por outro lado, reconheceu que o mercado do futebol masculino ainda é mais rentável, mas questionou justamente as medidas para tornar o mercado do futebol feminino tão lucrativo.