Da Redação

Após o Doce Mel confirmar a renovação com o técnico Elias Borges há pouco mais de um mês, o treinador afirmou ao Bahia Notícias que não dará continuidade no trabalho em que conquistou o acesso à elite do futebol baiano. Elias revelou que havia acertado tudo com Alípio Alves – investidor do clube -, mas atritos com diretores da agremiação acabaram minando a sua permanência.

“Tinha renovado com o Doce Mel diretamente com o Alípio, que é o investidor. Fizemos um acordo na parte financeira, ficou tudo acertado. Iniciamos um planejamento para montar uma equipe competitiva. Tive duas reuniões com o Alípio, e ele falou para conversar com a direção do clube. A partir daí, começaram os problemas. Tiraram meu direito de montar a comissão técnica, e no futebol não é assim. O treinador leva seu preparador físico, o auxiliar, preparador de goleiros, mas a diretoria discordou. Eles já tinham montado toda a comissão, e eu estranhei. Queria que me acompanhassem as pessoas que já conhecem minha metodologia de trabalho. A questão dos jogadores também pesou muito, então ficou uma queda de braço”, explicou o treinador.

Elias teceu duras críticas a três diretores do clube. De acordo com o treinador, até a lista de contratações foi questionada: “Conversei com o Alípio que iríamos ver quantos jogadores poderiam ser contratados e passaria para ele. Infelizmente, passei para a diretoria e foi uma confusão. Duvidaram da minha palavra. Montei uma lista com oito jogadores, começaram a questionar, conversei com o Alípio e disse que essa queda de braço não dava. O trabalho já havia começado errado. Eu não iria confiar nos diretores e nem eles em mim”.

O treinador ainda salientou que gostaria de ter continuado o projeto, mas a saída acabou sendo uma decisão acordada com o próprio Alípio.

“Com a queda de braço, conversei com o Alípio e achamos melhor não dar continuidade no trabalho. Mas alguns diretores que forçaram essa minha saída. Eu gostaria de ter continuado. Coloquei o perfil dos jogadores que gostaria de contar, que entendem minha metodologia, mas os diretores acharam que era tudo para mim. Achei muito amadorismo”, concluiu.

No mercado, Elias revelou que já foi procurado por três equipes, duas delas da Bahia. Porém, o treinador preferiu não falar os nomes, para não atrapalhar as negociações.

O presidente do Doce Mel, Eduardo Catalão, afirmou que a direção ainda tentou contornar a situação e manter o treinador, mas não foi possível: “Houveram algumas divergências no planejamento entre ele e a diretoria. Tentamos contornar, mas não obtivemos êxito. Com isso, resolvemos não assinar contrato”.