Bahia Notícias

A crise financeira no futebol está afetando, principalmente, os pequenos clubes do país. Aqui na Bahia, times já precisaram ser desfeitos durante a pandemia por não terem recursos para arcarem com os salários das equipes. Na tentativa de ajudar a minimizar os impactos, o ex-técnico do Doce Mel iniciou um projeto para arrecadar fundos e ajudar as equipes em momentos como o atual. Em entrevista para o Bahia Notícias, Luiz Carlos Cruz explicou mais sobre o Gol Salvador e sua motivação para a ação.

O projeto de captação de recursos pensado pelo ex-treinador do time baiano veio a partir da situação da maioria dos times do país. “Me veio a ideia diante da necessidade que está acontecendo no futebol brasileiro e mundial”, explicou. “A gente vai ter sérios problemas, então como eu poderia contribuir?”, indagou Luiz Carlos.

Com o contrato rescindido a frente do Doce Mel, após derrota da equipe pelo Campeonato Baiano, ele idealizou o Gol Salvador como uma proposta de captação de recursos para criação de um fundo que serve para ajudar as equipes menores que passam dificuldades em momentos de grandes crises como a atual.

“Nós temos três realidades no Brasil: o alto nível, que tem contrato, e que vai fazer acerto com o clube para reduzir salário e tirar férias, mas vai receber; o segundo universo é o nível médio, que tem contratos, não ganham tanto, mas que também vão aceitar uma redução salarial e tentar sobreviver; mas aí vem a terceira camada, que é a maior, que é de quem ganha de um a três salários mínimos, que é cerca de 85% dos profissionais da área do futebol nesse país”, explicou o treinador. “Essa grande camada é a que encerrou contrato e nem todos os clubes, como foi o caso do Doce Mel, pagou tudo ao dispensar a equipe. Nem todos fizeram isso, nem todos tiveram recurso para cumprir com suas obrigações”, acrescentou.

Para que o projeto funcione, ele ainda comenta que a medida precisa ser concreta, para dar apoio àqueles que precisam. “É o momento de quem ganha mais ajudar quem ganha menos”, ressaltou. “Se nós tirarmos 1% da elite do futebol nacional, de quem ganha muito, apenas 1%, que inicio financeiro nós não teríamos no fundo?”, questiona Luiz Carlos.

Ele lembra ainda que, com a dissolução de equipes em meio a crise, colegas na área profissional do futebol já devem estar em dificuldade agora, “como auxiliares, roupeiros, massagistas, fisiotapeutas e segurancas”. “A ideia do projeto agora é que ele alavanque a discussão”, pontuou. O técnico completa que a proposta já foi enviada para entidades, federações de futebol e políticos e que aguarda resposta para o andamento da solução.

Luiz Carlos Cruz tem uma longa carreira como treinador, com passagens também pelo Fortaleza, Ceará, Palmeiras e Chapecoense, além do Bahia, Vitória da Conquista e Fluminense de Feira. Sobre a proposta do Gol Salvador, o técnico completou: “Ele começa como um projeto para agora, de uma forma emergencial, mas por que não ter um fundo pro futebol de reserva para quando acontecer catástrofes você ter como atender?”.