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O novo coronavírus mudou completamente a ordem mundial. No esporte, a pandemia bateu firme nas contas dos clubes. Sejam eles grandes, médios ou pequenos, todos tiveram de passar por algum tipo de readequação financeira. A saída encontrada por algumas agremiações para cortar gastos foi enxugar departamentos como as categorias de base ou o futebol feminino. Mas uma medida como essa pode trazer mais prejuízos do que benefícios.

O Regulamento de Licenciamento de Clubes da Conmebol traz no Capítulo IV os critérios esportivos exigidos pela entidade para a participação em campeonatos promovidos pela Conmebol e também pela CBF. Sem a licença, não é possível disputar os principais torneios nacionais e continentais.

O item D01 fala que o solicitante [da licença] deverá ter uma equipe principal feminina ou associar-se a um clube que a tenha. Além disso, deverá ter pelo menos uma categoria juvenil feminina ou associar-se a um clube que a tenha. Em ambos os casos, o solicitante deverá providenciar suporte técnico e todo o equipamento e infraestrutura (campo de jogo para a disputa de jogos e treinamento) necessários para o desenvolvimento de ambas equipes em condições adequadas. Finalmente, é exigido que ambas equipes participem de competições nacionais e/ou regionais autorizadas pela respectiva Associação Membro.

No Brasil, o Atlético-MG desativou as categorias de base do futebol feminino. O clube se defendeu e diz que não acredita em retirada do licenciamento, uma vez que o Regulamento de Licenciamento de Clubes da CBF não prevê a obrigatoriedade de ter categorias de base, já que fala que “o Clube Requerente incentivará o desenvolvimento das categorias de base feminina, e, idealmente, deve ter ao menos 1 (uma) equipe de categoria de base feminina (Sub-20, Sub-17 ou Sub-15) ou manterá acordo de parceria ou associação com um clube que tenha referida equipe estruturada.”.

Para evitar situações desta ordem, a CBF distribuiu quase R$ 4 milhões para os 52 clubes que disputam as Série A1 e A2 do Campeonato Brasileiro feminino. Os 16 times da Série A1 receberam cada um R$ 120 mil. Já os 36 times da Série A2 tiveram direito a R$ 50 mil cada. Para o dirigente do Galo, o valor foi insuficiente.

“A ajuda da CBF foi usada para pagar os salários de março e abril das meninas. Mas é um valor que está longe de cobrir o custo do futebol feminino do Atlético”, reclamou Machado.