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Andrés Sanchez disse na última semana que não demitiria Tiago Nunes do Corinthians, exceto se houvesse certeza de que perdeu o controle sobre os jogadores. O presidente está de saída e se parece com a velha canção “Maior Abandonado”, de Cazuza e Frejat, gravada pelo Barão Vermelho, em 1984: “Mentiras sinceras me interessam.”

Há um ano, Andrés também se prendeu às mentiras sinceras para informar que só demitiria Fábio Carille se perdesse o vestiário, e demitiu depois de uma surra de 4 x 1 para o Flamengo. Incrível como técnicos sempre perdem o vestiário depois de vexames. Desta vez, após derrota para o Palmeiras.

O pecado é pensar que o Corinthians perdeu todas as suas bandeiras dos últimos dez anos. Era o clube que tinha a maior receita, orgulhava-se dos títulos nacionais e internacionais, de fugir da regra estúpida das demissões de técnicos. Andrés Sanchez encerra seu segundo período na presidência como se fosse um Vicente Matheus, histórico, porém pré-histórico em suas decisões, e com a diferença de que Matheus concluiu seu último mandato com o primeiro título brasileiro.

Há dois anos, Andrés dizia que o futuro do Corinthians era de jogadores como Araos e Bruno Mendez. Há um ano, jurava que não trocaria Fábio Carille. Há uma semana, garantia o trabalho de Tiago Nunes. Pena que o Corinthians virou o maior clube abandonado do Brasil.