Globo Esportes

Uma reunião a ser realizada na manhã desta quinta-feira entre o Conselho da Conmebol e representantes da Fifa deve desatar o nó em que se transformou a próxima rodada dupla das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2022.

Os jogos estão marcados para a última rodada de março. Pela programação original, o Brasil visita a Colômbia em Barranquilla no dia 26 e depois recebe a Argentina no Recife no dia 30.

Mas hoje ninguém – nem a Fifa, nem a Conmebol, nem a CBF – consegue assegurar a realização dos jogos. Justamente porque não depende dessas entidades a liberação dos jogadores que atuam na Europa para defenderem suas seleções na América do Sul.

De acordo com dirigentes consultados pela reportagem, a situação mais difícil é a dos jogadores que atuam na Inglaterra. Preocupado com a variante brasileira do coronavírus, o governo britânico mantém os 10 países da Conmebol numa “lista vermelha”, que pode ser consultada aqui. Londres avisa:

Se você esteve ou passou por qualquer um dos países listados abaixo nos 10 dias anteriores, sua entrada no Reino Unido será recusada. Se você for um cidadão britânico ou irlandês, ou for residente no Reino Unido, deverá ficar em quarentena em um hotel por 10 dias.

É esse tipo de restrição que os dirigentes de futebol tentam convencer os governos a derrubar. Para piorar a situação, continua o clima de hostilidade velada entre cartolas da Conmebol e da Fifa. A entidade sul-americana entende que a Fifa precisa apresentar uma solução para o problema.

Duas semanas atrás, a Conmebol publicou a tabela com os jogos de março – como se eles já estivessem confirmados, sem risco de adiamento – o que causou irritação na Fifa, porque foi entendido como uma forma desnecessária de pressão. Em Zurique, a diretriz continua sendo trabalhar em vez de falar.

As alternativas discutidas informalmente não agradam aos cartolas das 10 associações nacionais de futebol da América do Sul – e nem à direção da Conmebol. Uma delas seria fazer as duas rodadas das Eliminatórias apenas com jogadores que já atuam no continente. Essa opção é rejeitada pela cúpula da CBF e de outras seleções – embora a comissão técnica da seleção brasileira se prepare para este cenário, como revelou Raphael Zarko aqui.

A possibilidade de realizar os 10 jogos (duas rodadas com cinco jogos) numa “bolha” em outro continente também não parece factível. Está sobre a mesa uma proposta de adiar os jogos de março e transformar as janelas internacionais de outubro e novembro em rodadas triplas (hoje são duplas). Essa ideia esbarra em problemas de logística dentro da América do Sul, pois exigiria muitos deslocamentos (alguns bem longos) em poucos dias.

O adiamento da rodada dupla de março seria trágico para o calendário, que já não tem mais datas disponíveis até a Copa do Mundo do Catar, a ser realizada entre novembro e dezembro de 2022. Para deixar tudo ainda mais difícil, em junho e julho deste ano haverá uma Copa América – torneio oficial, do calendário da Fifa, para a qual os clubes são obrigados a liberar jogadores.

Por isso, o que a Conmebol quer, de qualquer maneira, é a realização dos jogos em março – de preferência com a presença dos “europeus”. Um dos argumentos já apresentados pelos cartolas sul-americanos é que o índice de contágio nos jogos das Eliminatórias realizados em outubro e novembro do ano passado foi de apenas 2% – “nós sabemos fazer as coisas” é a mensagem que se pretende passar. Todas as partes envolvidas esperam encontrar uma solução nesta quinta-feira.