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Suspenso o efeito da liminar do Flamengo, como queria a maioria dos 20 clubes da Série A e a CBF, o foco agora passa a ser uma resolução definitiva sobre o assunto público nos estádios no conselho técnico de 28 de setembro. Briga política e jurídica entre os dirigentes à parte, um item indispensável da equação é a permissão das autoridades locais para que haja torcida a partir da 23ª rodada do Brasileirão, em outubro.

Segundo decisão anterior do próprio conselho técnico, o público só será aceito na Série A se 100% das praças tiverem autorização. O dever de casa dos clubes e respectivas federações estaduais é conseguir viabilizar isso a tempo, em um cenário que não se desenha simples.

Com percentuais diferentes e peculiaridades, há permissão em Rio de Janeiro, Goiânia, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Cuiabá e Chapecó — Caxias do Sul debate o protocolo. Olhando para a conta dos estados, há sete com sinal verde entre os onze representados na Série A. Faltam São Paulo, Ceará, Bahia e Pernambuco.

Estrategicamente, São Paulo é um nó que precisa ser desatado. São cinco clubes do estado na elite e a posição do governo tornada pública até o momento é permitir torcida só em novembro. Isso afeta a vida de Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Santos e Red Bull Bragantino — só aí, são três cidades envolvidas. A CBF chegou a ter permissão para um teste no Brasil

O conselho técnico da Série B, marcado para hoje (17) à tarde, será um bom termômetro para ver o cenário que Guarani e Ponte Preta, ambos de Campinas, colocarão à mesa. Isso vale para os outros estados que ainda não anunciaram permissão para público. A diferença é que a segunda divisão não demanda 100% de liberação — o acerto dos clubes com a CBF é ir adiante se 80% das praças receberem o aval.

A posição de São Paulo reflete no comportamento de outros lugares, pela avaliação de algumas federações. É o caso de Pernambuco. Ontem (16), houve uma reunião com o governador Paulo Câmara (PSB), e o presidente da Federação Pernambucana, Evandro Carvalho, deixou o encontro pessimista. Na véspera, o governo renovou o estado de calamidade pública por mais três meses por causa da pandemia..

“João Dória (governador de São Paulo) e Paulo Câmara estão muito alinhados. Eu acho difícil convencê-lo. O Náutico, inclusive, falou comigo que está pensando em jogar em João Pessoa na Série B, já que a Paraíba tem liberação e é muito perto daqui. O Sport vai esperar mais um pouco, só vai resolver depois do jogo contra o Atlético-MG. Mas por que shopping pode e não pode ter estádio?”, contou Evandro ao UOL Esporte.

A necessidade de clubes e federações de destravar o público ainda colide com aspectos políticos que envolvem o governo federal e os números da pandemia. Ontem (16), quando o Ministério da Saúde anunciou a posição de suspender a vacinação de adolescentes sem comorbidades, o Brasil registrou 637 mortes por covid-19, elevando o total para 589.277. Os dados foram obtidos pelo consórcio dos veículos de imprensa, do qual o UOL faz parte, junto às secretarias estaduais de Saúde.

Pelo terceiro dia consecutivo, a média móvel de mortes ficou acima de 500 depois de passar seis dias abaixo. Foram 582 óbitos em média nos últimos sete dias, o que indica uma tendência de estabilidade de -7% na comparação com 14 dias atrás.