Sem Globo, prejuízo de patrocinadores da seleção é incalculável, diz especialista
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A decisão da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) de romper com a Globo e lançar um novo modelo de transmissão dos jogos da seleção brasileira será um tiro no pé. A opinião é de Fabio Wajngarten, um dos principais observadores do mercado de mídia do país, criador do Controle da Concorrência.
“O prejuízo para os patrocinadores da seleção é incalculável. É como comparar banana com feijoada”, diz.
A CBF fará ela mesma a transmissão dos dois próximos amistosos do time do técnico Tite, contra a Argentina e a Austrália, nos próximos dias 9 e 13. Irá captar as imagens, fazer a locução (com Nivaldo Pietro), os comentários (com Pelé), e comprar espaço em emissoras abertas. Está vendendo de duas a quatro cotas de patrocínio por R$ 2,3 milhões cada, valor ancorado principalmente na exibição ao vivo pelo Facebook.
As duas partidas serão transmitidas pelas TVs Cultura e Brasil e pelo Facebook. A Cultura registra no máximo 1,5 ponto de média diária no Ibope da Grande SP. Na TV Brasil, do governo federal, os programas mais vistos não passam de 0,4 ponto. Já a Globo oscila entre 15 e 18 pontos de média das 7h à meia-noite. O último amistoso da seleção, contra a Colômbia, rendeu 25 em janeiro. No horário dos próximos amistosos, a partir das 7h, a Globo costuma ter 10 pontos.
Wajngarten não acredita que o Facebook compense a exposição que as duas TVs não têm. São poucos os brasileiros que possuem televisores conectados com aplicativos da rede social e que poderão ver os jogos na tela grande. A maioria, prevê, tentará assistir por telefones celulares.
“Qual brasileiro tem um pacote de dados suficiente para ver um jogo inteiro no mobile?”, questiona. “E a banda larga é sofrível fora dos grandes centros urbanos”, lembra.
O resultado será catastrófico para os patrocinadores da seleção (Guaraná Antarctica, Nike, Vivo, Itaú, Mastercard, Gol, Ultrafarma, EF, Cimed e Universidade Brasil). Sem o apoio das grandes redes abertas, principalmente da Globo, a exposição dessas marcas será infinitamente menor.
“Os anunciantes estão na CBF por causa da exposição da seleção. O marketing é movido pela expoisição de marcas, e não há mídia mais vencedora do que a TV aberta para a construção de marcas”, ensina o publicitário.










