Fonte: Atarde

Depois de meses de brigas internas – documentadas em matérias no A TARDE – entre diretoria, comissão técnica e jogadoras, 15 atletas decidiram deixar o São Francisco e reforçar o Lusaca.

As jogadoras se apresentam na nova equipe nesta segunda, 11, e devem reforçá-la já neste Campeonato Baiano, que começa no próximo dia 16. De acordo com o ex-treinador e ex-coordenador técnico do São Francisco, Mario Augusto Filgueiras, essa foi uma decisão das próprias atletas.

Mario disse que a antiga comissão técnica, que acompanhou as atletas até a reformulação do time (que aconteceu às vésperas do Campeonato Brasileiro deste ano) também vai acompanhar as jogadoras no novo time. Dessa forma, se juntam às 15 atletas o ex-treinador, a então massagista e o então auxiliar, ainda sem definição de quais cargos irão ocupar.

De acordo com o regulamento da Federação Bahiana de Futebol (FBF), as equipes têm até essa segunda, 11, para fazerem a inscrição inicial, acompanhada pelas fichas cadastrais das atletas. Ainda segundo a FBF, uma atleta não pode ser inscrita por mais de uma equipe no campeonato.

Ainda segundo o regulamento, para se inscrever, a equipe precisa ter, no mínimo, 18 atletas.

Problema

Esse pode ser o primeiro desafio do São Francisco, time 15 vezes campeão estadual e único representante baiano na Série A do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino: somar 18 atletas.

Até junho, quando disputava o Brasileirão, a equipe contava com 30 atletas. Mas, logo depois do torneio, amargou a primeira desistência em massa de jogadoras, quando nove meninas deixaram a equipe – algumas para o rival, Vitória, outra para o Galícia e outras para equipes de fora do estado.

Ao todo, já são 24 atletas deixando o São Francisco apenas neste ano, um número preocupante. Além do problema de montar uma equipe – a não ser que o projeto de renovação de atletas já esteja em curso para esta edição do campeonato – o alto número de evasão de atletas mostra que alguma coisa não está indo bem num time que sempre foi referência na Bahia, e disputado por jogadoras do Brasil inteiro.

Algo também não vai bem quando várias atletas criticam a diretoria e reclamam de agressão verbal em mais de uma ocasião.

Essa saída já estava se desenhando há bastante tempo, muito motivada pelo desgaste entre atletas e a nova comissão. A diretoria do São Francisco agora precisa entender que mudanças – programadas ou impostas – não são, necessariamente, um fim. Podem significar um recomeço.

O São Francisco está baseado em uma das cidades com o maior PIB do estado (já teve o maior do país em 2010) e tem total estrutura para manter um time digno de Série A de Campeonato Brasileiro.

Torço pela reformulação da equipe. Mas torço também para diminuir desgastes envolvendo jogadoras numa modalidade que ainda sofre com falta de respeito no nosos país.