O Globo

Se a data de retorno do futebol profissional no Brasil ainda é incerta, a pandemia do novo coronavírus tem provocado danos silenciosos e ainda mais profundos nas categorias de base, que ameaçam não retornar às atividades em 2020. Embora representem uma parcela pequena do orçamento das equipes da Série A — na média até 5% — , os primeiros cortes realizados pelos clubes atingiram exatamente este setor mais frágil.

Flamengo, Sport e Vasco são exemplos de equipes que demitiram profissionais das categorias inferiores. O Corinthians reduziu 70% dos salários de seus funcionários. Já o Internacional acabou com o seu time de aspirantes ainda antes da paralisação. O principal motivo para o corte é justamente a falta de perspectiva de retorno do calendário e a dificuldade de se imprimir um protocolo de saúde e segurança como está previsto para os times principais.

Em alguns casos, aproveitou-se a realidade econômica menos animadora para enxugar o excesso de profissionais em determinadas funções, como no Flamengo. Segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, há chance de se manterem para este ano apenas os torneios sub-20, conforme indicou a Federação Paulista de Futebol. A CBF suspendeu competições sub-17 e sub-20 em andamento, e ainda não sinalizou quando elas retornam. Os clubes receberam da entidade a indicação de que os jogos, se voltarem, podem até entrar por 2021.

O drama invisível é que não é possível a base retornar com o protocolo do profissional, pois a quantidade de pessoas envolvidas é muito maior. Ainda há o agravante do alojamento dos jogadores e da necessidade de os garotos estudarem enquanto treinam, condição para a certificação da CBF como clube formador.

Mesmo assim, entrou em cena o Movimento dos Clubes Formadores do Futebol Brasileiro (MCFFB), com um apelo para a retomada das competições, sob o risco de demissões em massa na categoria de base. Um comunicado divulgado ontem reforçou a preocupação.

— Ninguém pode prever o que vai acontecer nos próximos dias e meses. É importante que todos os dirigentes tenham entendimento que qualquer minuto de treino e jogo na base faz enorme diferença na formação dos atletas — reforçou Carlos Brazil, diretor do MCFFB.

Brazil acredita que a base vai ser a solução na crise: