Futebol feminino é o diamante a ser lapidado no Brasil
Uol

Nos últimos anos, o futebol feminino tem tido um crescimento descomunal, tanto em relação à prática quanto ao consumo do esporte. As mulheres já representaram 41% da audiência do futebol na televisão brasileira. De acordo com dados do Ibope, entre 2014 e 2018, houve aumento de 30% no tempo médio consumido do futebol por mulheres. Somado a isso, houve salto de 51% no tempo médio consumido jogos femininos pela população em geral
Desta forma, de todas as modalidades, o futebol feminino é o grande diamante entre os esportes no Brasil a ser explorado e lapidado. É um esporte barato, que engloba toda a sociedade, sendo pobre e o rico. Não é preciso ter um equipamento caro ou ser sócio de um clube para praticá-lo. Só com um brinquedo, que é a bola, brincam 22 ao mesmo tempo.
O futebol feminino é o nosso tesouro, tem grande potencial de crescimento. Podemos realizar tudo o que almejamos e não conseguimos entre os homens, principalmente em relação à gestão, organização e engajamento na modalidade, porque não há um vício. Também não podemos deixar de lado dois fatos importantíssimos: a manutenção de nossas craques no Brasil e a educação do torcedor, pois ainda não há uma relação com as torcidas organizadas.
Entra ano e sai ano, sempre ouvimos e debatemos os mesmos problemas ligados ao futebol masculino e não acredito que isso irá mudar. Aqueles sonhos utópicos que temos em ver aqui no Brasil a mesma organização apresentada numa Liga dos Campeões da Europa ou na Premier League podem sim ser alcançados entre as mulheres. Elas não estão acostumadas nem acomodadas com a mesma rotina. Pelo contrário, é a paixão que as move pelo esporte. Elas estão engajadas para fazer a modalidade crescer e, enfim, vingar no país. As próprias atletas estão dispostas e lutam diariamente para que o esporte cresça.
Este salto na qualidade do futebol feminino e o espaço concedido às meninas desperta o público em geral. Vale recordar que em maio, durante a paralisação dos campeonatos devido à pandemia da Covid-19, a Rede Globo reprisou inúmeros jogos memoráveis, entre eles Brasil x EUA, que definiu a medalha de ouro do futebol feminino no Pan de 2007. A emissora liderou a audiência com 11 pontos de média.
Esse crescimento exponencial ficou ainda mais evidente durante a Copa do Mundo da França em 2019, uma vez que 1,12 bilhão de pessoas assistiram ao torneio, o que significou aumento de 30% no alcance em relação à edição de 2015, realizada no Canadá.
Se a audiência cresce, o consumo também explode. A Nike divulgou em 2019 que as vendas das camisetas da seleção feminina dos Estados Unidos, que ficaram com o título da Copa, bateram o recorde histórico de vendas, superando times masculinos e femininos. A fabricante de material esportivo patrocinou 14 das 24 equipes naquele Mundial. A forte presença da multinacional elevou as receitas de atacado no segmento feminino em 11%.
Em termos de marketing, o futebol feminino tem muito mais possibilidades de ser explorado do que o masculino. Entre os homens, ainda há muito a ligação na venda de camisetas, chuteiras e cerveja, porque é uma bebida muito ligada aos torcedores brasileiros. Mas quando falamos das mulheres, ampliamos para vários outros segmentos, como a moda (diversidade do vestuário feminino), beleza (produtos ligados aos cabelos, pele, maquiagem…), calçados, entre outros.
A CBF, enfim, passou o comando do futebol feminino para as mãos delas. Além da contratação da técnica sueca Pia Sundhage para a seleção brasileira principal e a chegada de Aline Pellegrino para coordenar as competições femininas, a entidade colocou Duda Luizelli na coordenação das seleções femininas.
Com a experiência da Pia Sundhage, que foi duas vezes medalha de ouro nos Jogos Olímpicos com os Estados Unidos, e a toda a bagagem da Aline e minha, vamos conseguir fazer um futebol feminino competitivo nos próximos anos.









