Médico diz que argumentos da Federação Paulista são negacionistas: “Paralisação tem de ser em todo o Brasil hoje”
GE

Miguel Nicolelis, médico e neurocientista, participou do Globo Esporte SP nesta quinta-feira e reforçou a necessidade de uma paralisação nacional do futebol por conta do avanço da pandemia de Covid-19.
Antes de iniciar sua participação no programa, Nicolelis viu a declaração de Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol, defendendo a continuidade do futebol. A entidade ainda tenta retomar a competição estadual e estuda até ir à Justiça.
– Eu não consigo entender porque outros protocolos servem, e o do futebol não. Só estamos lutando pelo futebol porque a ciência e a medicina diz que é seguro. Volto a repetir: se a ciência e a medicina disse que não é seguro, nós paramos. Nós respeitamos esse momento, não somos negacionistas. O futebol não é cego – disse o presidente da FPF.
Nicolelis, por sua vez, discordou e disse que a paralisação é mais do que necessária:
– A ciência que eu conheço há 40 anos e que pratico em nível mundial há 32 não está de mãos dadas com a visão que nós acabamos de ouvir do presidente da FPF e nem da CBF.
– Na realidade, nós não temos condição sanitárias de continuar com qualquer competição estadual, municipal, nacional, seja ela masculina, feminina, de qualquer divisão, de base… O que precisa ser feito, claramente, é dar apoio aos clubes e aos jogadores para ficarem, sim, em casa. O argumento que acabamos de ouvir é, sim, negacionista. Ele não segue as normas internacionais em um país com a pandemia fora de controle e um colapso hospitalar nacional – acrescentou.
O médico e neurocientista diz ainda que a dinâmica das competições é algo que pesa contra o controle da pandemia de Covid-19.
– Tem duas coisas que precisam ser feitas de maneira nacional e emergencial para conter a pandemia: evitar aglomerações e evitar fluxo de pessoas pelas rodovias e espaço aéreo.
– Eu acho que a paralisação tinha que ser completa em todo o Brasil hoje, imediatamente. O futebol só deveria voltar quando as autoridades sanitárias do país e de cada região tivessem um consenso de que a taxa de transmissão caiu a níveis seguros ou quase nulos e o números de casos por milhão passa por limite mínimo seguro – falou.
Miguel Nicolelis ainda falou que não dá para comparar a sequência do futebol em meio à pandemia em países europeus com o que acontece no Brasil.
– Essas condições de retomada estão sendo discutidas no mundo inteiro. E o que ninguém fala aqui no Brasil é que a maioria das ligas europeias estavam ocorrendo nessa segunda onda com todos os bares e restaurantes fechados. Ou seja, não dá para comparar a liga europeia com o Campeonato Brasileiro, como algum comentarista escreveu. É uma comparação espúria e sem nenhuma relevância estatística – opinou o médico.









