Brasileiros carregam tocha olímpica entre apreensão e esperança
Bahia Notícias

A ansiedade por participar de um evento histórico tem dividido espaço com a preocupação em relação à pandemia da Covid-19.
Mas, enquanto conta os dias para carregar a tocha olímpica, a brasileira Taeko Kimura, 21, afirma que a emoção de poder participar do revezamento faz a esperança ser maior que o medo.
“Não dá para negar que o risco existe, mas a comissão organizadora tem se mostrado muito preocupada em fazer tudo de forma segura. Isso tem me tranquilizado”, afirma ela, que é natural de Manaus (AM) e reside na cidade de Kosai (província de Shizuoka) desde 2008.
Única estrangeira dentre as 63 pessoas selecionadas para participar do revezamento em sua província, ela conduzirá a chama no dia 23 de junho.
De acordo com o protocolo olímpico, duas semanas antes da participação, cada corredor e seus familiares começam a ser monitorados, com medição de temperatura.
Três dias antes de carregarem a tocha, os participantes são submetidos ao exame PCR. E, no dia do evento, o uso de máscara é obrigatório –tanto para os corredores quanto para o público.
“Pediram para eu não convidar ninguém que resida em outra província e, no trajeto, muitos estafes vão zelar para que o público siga a orientação de não gritar, mas apenas acenar e aplaudir”, explica Taeko.
Somente durante a condução da tocha, um percurso de cerca de 200 metros, os participantes têm a opção de retirar a máscara.
“Ainda não decidi, mas acho que vou correr sem máscara porque os organizadores garantem o distanciamento. E quero poder sorrir em um momento tão especial.”
Na ficha de inscrição para se candidatar ao revezamento, a brasileira contou que chegou ao Japão aos oito anos de idade e sofreu bullying na escola. Mas, depois de começar a praticar judô, aos 11, conseguiu recuperar a confiança e a autoestima.
“Creio que fui escolhida porque o esporte teve esse papel transformador na minha vida”, arrisca ela. “Participar desse evento é mais uma vitória na minha vida e quero transmitir essa mensagem de superação para outras crianças que estejam passando pelo que eu já passei.”
Outros 3 dentre os 211 mil brasileiros que vivem no Japão já participaram do revezamento após se inscreverem e terem sido escolhidos pela organização. Todos optaram por retirar a máscara na hora da corrida. Um deles, Chrystoffer Akira Ykemoto, 30, carregou a tocha na última segunda-feira (5), em Inuyama (Aichi).









