Globo Esportes

A primeira convocação da seleção brasileira depois da Copa do Mundo do Catar foi o resumo do que a CBF e o presidente Ednaldo Rodrigues gostariam de passar para o torcedor neste novo ciclo que se inicia. Com Ramon Menezes no comando interino para o amistoso contra Marrocos, no dia 25, e sem a perspectiva de um treinador que assuma em definitivo pelo menos até o meio do ano — Carlo Ancelotti, do Real Madrid, é o alvo —, a lista de 23 convocados trouxe surpresas que passam pela tentativa da entidade de gerar maior conexão com o povo.

— Não envolve só a competência, tem a ver com o envolvimento com o país, as diretrizes da entidade. Ter um olhar com muito critério para as bases. Respeitamos os (jogadores) experientes, mas tem muita gente nova querendo oportunidade para ser o futuro do futebol brasileiro — afirmou Ednaldo Rodrigues.

Não à toa há nove estreantes e oito atletas que atuam em clubes do Brasil, a maioria jovens — média de 24 anos. Na tentativa de equilibrar a lista para uma transição e de olho no adversário em campo, Ramon se cercou de jogadores com os quais trabalhou no Sul-Americano sub-20, e manteve uma base titular que foi ao Catar, deixando de fora jogadores do Brasil e do exterior que tiveram poucas oportunidades com Tite no fim do último ciclo. Outros, como Raphael Veiga e Rony, do Palmeiras, apareceram após serem ignorados, especialmente o meia.

Os primeiros 23 jogadores convocados por Ramon Menezes na Seleção Brasileira

Do Rio, os novatos Andrey Santos, do Vasco, André, do Fluminense, e João Gomes, vendido pelo Flamengo ao Wolverhampton fizeram uma espécie de contrapeso. Pedro e Gabigol, presentes no último ciclo, ficaram de fora. Os menos conhecidos foram Mycael, goleiro do Athletico-PR, Arthur, lateral do América-MG e Robert Renan, zagueiro do Zenit, da Rússia. Os três, ao lado do atacante Vitor Roque, outro do Furacão, foram campeões com Ramon do Sul-Americano sub20. No mais, 11 jogadores que estiveram no Catar, 10 de fora do Brasil e o goleiro Weverton, do Palmeiras.

Ramon entendeu que era o momento de dar oportunidade aos jovens em relação a uma lista de jogadores que estão nos planos mas não vinham atuando como titulares, casos de Pedro (Flamengo), o volante Fred (Manchester United), o zagueiro Bremer, os volantes Fabinho e Bruno Guimarães, o meia Éverton Ribeiro e o atacante Gabriel Martinelli. Neymar ficou fora por estar se recuperando de uma lesão no tornozelo, assim como Thiago Silva. Outros titulares ficaram de fora, como o goleiro Alisson, o lateral-direito Danilo, o lateral-esquerdo Alex Sandro e o atacante Raphinha, do Barcelona. Vinícius Júnior, Rodrygo e Antony foram os representantes do ataque da equipe que jogou a Copa. Richarlison, Casemiro e o zagueiro Marquinhos, a espinha dorsal daquele time, foram mantidos.

— Os jovens do sub-20 eu conheço bem. Poderia ter mais jogadores com idade olímpica, estamos deixando fora o Martinelli. Mas acredito que fizemos a melhor escolha — afirmou Ramon. A convocação de Rony, do Palmeiras, uma das surpresas, teve uma razão específica para deixar, Martinelli de fora. A ideia é aproveitar a excelente condição física de Rony para encarar a forte seleção marroquina. O atacante demonstra capacidade de atuar pelas pontas e “descer” bem para cobrir espaços defensivos e dar mais equilíbrio.

Ramon convocou também os auxiliares Thiago Kosloski, do Coritiba, e Felipe Maestro, técnico do Bangu, o coordenador de performance do América-MG, Leo Cupertino, o preparador de goleiros, Silvio Jardim, e o coordenador científico do Palmeiras, Daniel Gonçalves, que vai auxiliar na preparação física.