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Ainda longe no horizonte turvo da pandemia que cancelou o futebol no mundo inteiro, a Copa de 2022 no Catar já é assunto sério entre a Fifa e seus principais patrocinadores. Se pode parecer ainda prematuro e exagerado falar em adiamento/cancelamento/qualquer mudança no próximo Mundial, já parece claro que o calendário da Fifa terá de ser mudado para que o seu principal torneio não seja afetado pelo COVID-19. Isso porque além das Eliminatórias já terem tido rodadas suspensas (ainda há datas de amistosos suficientes para abrigar o atraso), as competições de clubes e copas continentais de Seleções podem ter de ser atropeladas: a bizarrice que vivemos no Brasil (jogos de torneios nacionais imediatamente antes, durante e imediatamente depois) não é comum no resto do planeta.

A ideia da Fifa (defendida pelos seus principais patrocinadores) é a de manter as diferentes fórmulas de disputa (Pontos corridos na América do Sul, Grupos na Europa, etc) – isso implica em uma série de ações de ativações de marca e contratos fechados de direitos de transmissões. Lembrando que as Eliminatórias já são um evento FIFA (apenas administrado pelas federações).

A relação da Fifa com as Confederações continentais (especialmente com a Uefa e com a Conmebol) não estava das mais amistosas antes da pandemia, mas tem sido contornada nos bastidores para que o futebol (e os milhões que ele gera para as federações) seja o menos afetado possível pelo coronavírus. A verdade é que, na retomada do futebol, a Fifa, que tem acenado com ajudas financeiras para as federações nacionais, vai fazer valer seu poderio e vai colocar na mesa seu trunfo: a Copa do Mundo como norte a ser seguido (e segundo o qual as demais competições, inclusive as de categorias de base e femininas da Fifa, terão de se adaptar).