Após vencer o coronavírus, Índio revela: ‘Tive medo de morrer’
Correios

Ídolo do Vitória, Índio passou por grandes emoções ao longo da carreira de jogador de futebol, mas nenhuma tão intensa quanto à vivenciada nas últimas semanas. “Tive medo de morrer”, revela em entrevista ao CORREIO, após vencer o novo coronavírus. “Eu já tô bem, sem sintoma nenhum”, comemora.
Aos 38 anos, o ex-atacante está em fase final de recuperação da covid-19. Está isolado em um quarto da casa onde mora com a esposa Meireany, em Fortaleza. “Não estou sentindo mais nada, mas sigo isolado, porque não sei se ainda estou com o vírus. Minha esposa não fez os exames, mas ela não teve sintomas, só uma gripe. Vou voltar ao hospital daqui a uma semana para fazer novos exames”, explica.
Bem disposto e já sem fazer uso de medicação, Índio recorda o sofrimento provocado pela doença. “Tive falta de ar, cansaço, febre e dor no corpo. Foram 10 dias difíceis, sem me alimentar direito, sem sentir gosto. Colocava uma colher de comida na boca e já me sentia satisfeito. Fiquei muito mal mesmo, foi forte”, relata. “Não desejo nem para o meu pior inimigo”.
Índio esteve internado na capital cearense por três dias, no Hospital São José de Doenças Infecciosas. “Estava passando muito mal, com todos os sintomas. Não sabia o que era e minha esposa me convenceu a ir ao hospital, mas chegando lá não consegui ser atendido, não tinha vaga, leito, estava muito lotado. Fiquei com medo de acontecer alguma coisa mais grave comigo. Os atendentes diziam que não tinha como atender, porque o hospital estava muito cheio. Me bateu um desespero”, admite.
O atendimento foi viabilizado por um familiar. “A tia de minha esposa trabalha nesse hospital. Ela conseguiu falar com o médico pra ele me examinar. Quando ele me atendeu, já foi dizendo que era pra me internar, que eu estava com 100% de suspeita. Fiz o exame e deu positivo”.
Na unidade pública, o ídolo rubro-negro temeu pela própria vida e teve conhecimento da morte de outro paciente. “Não presenciei, mas ouvi dizendo que o médico estava indo dar o laudo. Tinha muita gente usando respirador, oxigênio. Fiquei com pânico, é uma situação muito difícil”, lamenta Índio, que não precisou fazer uso de respirador.
“Senti falta de ar leve, mas o cansaço era mais persistente. Logo que cheguei, não conseguia nem dar dois passos que sentia falta de ar. Eles colocaram um aparelho no meu dedo para monitorar a saturação, porque se baixasse demais teria que usar o oxigênio, mas a minha saturação estava boa e não precisei. Tinham outras pessoas piores que estavam precisando”.
Índio teve alta no último dia 7 e continuou fazendo uso de medicação em casa. “Fiquei muito aliviado. Quando falaram que eu ia me internar, bateu o desespero, mas logo no segundo dia eu já estava me sentindo melhor. No terceiro, eles já viram que não tinha mais necessidade de ficar internado, porque estava tomando espaço de outros que estavam com sintomas mais avançados”.









