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Península é uma porção de terra que se estende além do continente. É quase uma ilha. Península é também o nome do sub bairro na Barra da Tijuca onde o prefeito Marcelo Crivella tem seu apartamento, onde a Polícia Civil fez buscas na semana passada. Lá, às margens da lagoa da Tijuca, Crivella está quase numa ilha. Proíbe gente na areia da praia que está a três quilômetros de sua residência, sempre cheia. Mas queria permitir público no Maracanã durante o Brasileirão.

A primeira decisão da CBF foi convocar os clubes para tentar dar igualdade ao campeonato e, felizmente, a decisão de Crivella esbarrou na ampliação das restrições, pelo governo do Estado. Não vai haver Maracanã em outubro, porque o futebol não é uma bolha, embora o prefeito viva numa ilha, ou quase, na Península.

laro que o mundo inteiro está à espera do momento em que se possa entrar nos estádios. Na Inglaterra, a previsão inicial também era abrir em outubro, mas o primeiro-ministro, Boris Johnson, alertou que o aumento do número de casos pode atrasar a liberação. Abrir 30% do Maracanã significaria ter mais de 20 mil torcedores. Alguém dirá que poderiam se espalhar pelas largas arquibancadas. Mas se a prefeitura não consegue cumprir sua determinação de bloquear a areia da praia, como se vai acreditar em qualquer determinação depois de os torcedores poderem passar pelas catracas.

Neste caso, Andrés Sanchez gritou com absoluta razão. Não haverá público em um estado ou em um estádio, enquanto não puder haver em todos. O campeonato já corre o risco do desequilíbrio pela chance de se abrir o público, por exemplo, no meio do segundo turno. Mas, nesse caso, será igual para todo mundo.

É como se pensa, por exemplo, numa ilha como o Reino Unido, ou numa Península, como Portugal e Espanha.