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Era início de jogo quando o goleiro Hugo lançou uma bola longa demais para a lateral direita que Isla não conseguiu dominar. Ao seu lado, Doménec aplaudiu. A jogada perdida era um efeito da marcação pressão exercida pelo São Paulo de Fernando Diniz que impedia o rubro-negro de tocar a bola.

Extremamente concentrado, o time são-paulino mostrou uma organização e eficiência na retomada de bola que não costuma ser habitual nos times de Diniz. Mesmo quando marcou mais atrás, fechava os espaços, ganhava disputas e saia jogando. Ao final da partida, o São Paulo teve 20 desarmes no jogo contra 14 do time rubro-negro. Um dado decisivo na goleada são-paulina.

Um resultado que expõe uma realidade do Brasileiro-2020 bem diferente do ano passado. O Flamengo segue perto do topo, mas não vira o turno dominante como em 2019. Os rivais melhoraram, o Brasileiro na média tem times que cresceram e há uma disputa embolada de quatro pela ponta, Internacional, Atlético-MG, Flamengo e São Paulo.

Foi o que se viu neste domingo: a postura tática são-paulina acertada somou-se a um time que brigava por cada espaço dentro e fora de campo. Gritava a cada decisão do árbitro Caio Max, confuso como poucos neste Brasileiro. Até exagerava como quando os dirigentes desceram à arquibancada para pressionar o juiz aos gritos porque queria ver o lateral Isla expulso pelo segundo amarelo.

Do outro lado, o retrato do Flamengo era a desorganização de sua defesa e da pressão mal feita sobre a bola. O time nunca foi compacto em suas subidas, não conseguia sair jogando com qualidade e por isso não encaixava as triangulações habituais em suas subidas. A evolução vista nos últimos jogos sob Domenec parecia perdida diante de um rival superior.

E isso não explica só porque o Flamengo de Dome ainda não está no nível do time de Jesus. Houve um crescimento coletivo do jogo no Brasileiro, como se vê nos times do Inter, do Galo e agora do São Paulo. Há concorrência, sim, a ponto do outrora time imbatível ser goleado em casa com requintes de crueldade.