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:: 25/dez/2020 . 9:52

Bahia reintegra Ramírez, reforça combate ao racismo e anuncia cláusula antirracista em contratos

MSN

O Bahia divulgou uma carta aberta no início da tarde desta quinta-feira para informar que os laudos das perícias contratadas pelo clube não comprovaram a denúncia de injúria racial feita contra o atleta Índio Ramírez e que, portanto, o jogador será reintegrado ao elenco. Além disso, o texto menciona diversas medidas estruturais adotadas para evitar e combater o racismo na instituição e no futebol, de maneira geral.

Índio Ramírez estava afastado de todas as atividades do Bahia desde o último domingo, quando o clube decidiu que abriria uma investigação interna para apurar se o meia-atacante realmente disse a frase “cala a boca, seu negro” para Gerson, do Flamengo, no duelo do último domingo, vencido pelo time rubro-negro por 4 a 3, no Maracanã. No dia seguinte à partida, o atleta colombiano se defendeu das acusações e afirmou que foi mal compreendido por Gerson.

“O clube entende que, mesmo dando relevância à narrativa da vítima, não deve manter o afastamento do atleta Indio Ramírez ante a inexistência de provas e possíveis diferenças de comunicação entre interlocutores de idiomas diferentes”, disse o clube. “O papel do Bahia é de formação e transformação, sempre preservando os direitos fundamentais e a ampla defesa. O atleta deverá ser reincorporado ao elenco tão logo os profissionais da comissão técnica e psicólogos entendam adequado”, acrescentou o comunicado.

“O futebol é reflexo de uma sociedade que, quando não nega o racismo, adere a um populismo punitivista que finge resolver o problema apenas punindo o agressor. Atos de discriminação racial não são “casos isolados”, avaliou o clube baiano, que elencou sete medidas tomadas para combater a discriminação racial, incluindo uma cláusula antirracista nos contratos dos jogadores, por “entender seu papel de entidade de interesse público”.

Na carta, o Bahia também afirmou que “seguirá acompanhando os desdobramentos que ocorrerem fora das instâncias do clube, seja na Polícia Civil ou no Superior Tribunal de Justiça Desportiva”. Vale ressaltar que Gerson já prestou depoimento na Delegacia de Crime Raciais e Delitos de Intolerância do Rio de Janeiro (Decradi), e que Ramírez, o técnico Mano Menezes e o árbitro da partida, Flávio Rodrigues de Souza, também foram intimados a depor.

Golaço, lesões, identificação à distância e lágrimas no adeus: o fim da relação entre Vasco e Benítez

Globo Esportes

Quem acompanhou o último dia de Martín Benítez no Vasco tem uma certeza: ele queria muito ficar no Vasco. O argentino se emocionou e chorou na despedida de jogadores e funcionários e foi embora com os olhos marejados. Deixou claro que desejava permanecer. Sem acordo com Independiente, o clube oficializou nesta quinta, véspera de Natal, a saída de seu camisa 10.

A relação de nove meses chegou ao fim sem um final feliz para ninguém. Vasco e jogador desejavam um casamento duradouro, e o Independiente planejava vender o argentino por cerca de R$ 20 milhões, como acordado com Alexandre Campello, em novembro. O acerto foi desfeito por conta da sucessão presidencial.

Benítez e Vasco tiveram uma relação atípica, em um ano estranho. É quase consenso entre os torcedores que o camisa 10 não é craque, mas todos entendem a importância do meia. Ele era uma espécie de oásis na criação do time, carente de jogadores diferenciados no setor.

A identificação com o torcedor foi grande, mas o curioso é que Benítez e os vascaínos pouco conviveram. Foram apenas 30 minutos, em sua estreia contra o Goiás, pela Copa do Brasil. A noite ainda foi marcada por brigas na arquibancada e vaias ao time. Na sequência o argentino atuou apenas em jogos com portões fechados por conta da pandemia de Covid-19.

Mais foi assim, em um ano em que o isolamento social deu o tom, que Benítez e vascaínos se apaixonaram. Pela televisão, os torcedores se encantaram, enquanto o meia recebia carinho de longe pelas redes sociais. Deixa o Vasco, após nove meses, sem ter o nome gritado pela torcida em São Januário.

Como dito anteriormente, Benítez não é craque, mas é muito bom jogador. Seus números, por exemplo, não enchem os olhos. Foram apenas dois gols em 26 jogos. Um deles, no entanto, ficou marcado. Foi de bicicleta, após belo domínio no peito, contra o Atlético-MG, no Mineirão. Lance mais marcante de Ben10 com a camisa do Vasco.

Talento, portanto, Benítez provou ter, mas deixa a sensação de que faltou uma sequência maior. O argentino conviveu com problemas físicos que o tiraram de vários jogos. No Brasileirão, por exemplo, ficou fora de oito partidas. E foi justamente um problema na panturrilha que impediu sua despedida em campo. O edema, que já havia o deixado fora do jogo contra o Santos, antecipou o adeus do camisa 10, uma vez que ele também não terá condições de enfrentar o Athletico-PR, no domingo, e já foi liberado pelo Vasco.

Além das lembranças de bons momentos em campo e do carinho da torcida, Benítez deixa um grande amigo em São Januário. Durante nove meses, seu compatriota, German Cano, foi inseparável. Os dois, que se conheceram nesse ano no Vasco, formaram uma bonita parceria dentro e fora dos gramados, com inúmeros churrascos e passeios com os familiares.









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