Olimpíada se aproxima ainda repleta de incertezas; Brasil leva menos atletas
Atarde

A 100 dias da abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio, a Covid-19 segue ameaçando a vida das pessoas ao redor do planeta, fato que, em 2020, levou ao adiamento do evento e à suspensão ou cancelamento de competições preparatórias. Apesar das dificuldades, por enquanto, estão mantidas as datas em 2021: de 23 de julho a 8 de agosto.
Mas a crise sanitária se reflete em vários aspectos, como nos números atuais em relação à última edição dos Jogos. A Rio-2016 recebeu 11.238 competidores de 207 países para 39 modalidades e 306 provas. Somente o Time Brasil reuniu 465 atletas, a maior representatividade verde a amarela em todas as edições dos Jogos. Tóquio-2021 terá baixas no total de participantes.
Números mais modestos de representantes foram anunciados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), que projeta enviar entre 270 a 300 atletas. Em entrevista ao A TARDE, o presidente do COB, Paulo Wanderley, comentou sobre o que espera da recepção ao Time Brasil. A questão foi levantada por conta de o país estar entre os mais atingidos do planeta. “Possuímos laços muito fortes de amizade e respeito com o povo japonês, e temos a certeza de que seremos bem recebidos no país, como sempre fomos”, pontuou o dirigente.
Segundo ele, desde 2017, quando o COB definiu suas bases de apoio no Japão, foram feitas visitas constantes àquele país, levando atletas para se aclimatar e realizando ações de aproximação com a comunidade local. Paulo Wanderley relata que ao longo deste último ano, apesar do agravamento da pandemia, o Brasil recebeu inúmeras mensagens de apoio e carinho dos japoneses. A maioria delas desejando ver o Brasil superar esse momento difícil.
Para não fugir ao contexto atual, os riscos causados pela pandemia têm exigido do COB dar prioridade aos exames rotineiros em cumprimento aos protocolos de saúde. “O COB segue o cronograma do Programa Nacional de Imunização do Governo Federal. De qualquer forma, todos, vacinados ou não, seguirão os mesmos protocolos de segurança no período pré-embarque e durante os Jogos”, referendou Wanderley.
Para atingir o número projetado de 300 atletas, a entidade acredita que o suspense durará até perto da abertura dos Jogos. As projeções referentes ao número de medalhas também arrefeceram diante da crise sanitária observada pelo segundo ano seguido.
“Havia uma boa perspectiva para os Jogos, devido aos resultados obtidos pelos atletas brasileiros ao longo de todo o ciclo e, principalmente, no ano de 2019, nosso melhor ano pré-olímpico de toda a história. Contudo, a pandemia e o consequente adiamento obrigaram todos a replanejar suas preparações. Tivemos ainda muitas competições internacionais canceladas e adiadas, que serviriam como parâmetro de desempenho”, lamentou o presidente do COB.
Os 465 atletas brasileiros na Rio-2016 foram um recorde absoluto do país no número de representantes de toda a sua história. Até o momento, estão confirmadas 200 vagas brasileiras para a competição (veja lista abaixo). “A quantidade final de classificados só será definida no mês de julho, em virtude de eventuais realocações de vagas, que normalmente ocorrem às vésperas dos Jogos”, explicou Wanderley.
Ele antecipou que muitas das vagas confirmadas ainda não são nominais, sendo definidas apenas pelo país. Da Bahia, por enquanto a nadadora Ana Marcela Cunha é a única representante de fato classificada. O colega baiano nessa modalidade, Allan do Carmo, disputará vaga na Seletiva Olímpica de Setúbal, em Portugal, no mês de junho. Também há possibilidade de a volante Formiga ser convocada para defender a seleção feminina de futebol. Se ocorrer, será a sétima Olimpíada, um recorde.









