Divisões inferiores do Brasileirão começam com estado enfraquecido
Atarde

Nunca antes em sua história o futebol feminino esteve tão em alta quanto nos últimos três anos. Contudo, na contramão desse cenário, a Bahia tem cada vez menos representantes no cenário nacional e sofre com poucos investimentos. Como o estado não está presente na elite, o Campeonato Brasileiro vai começar somente no sábado, 11, para as equipes da região. Na Série A2, o Bahia estreia neste sábado, contra o Fluminense, às 15h. Já pela Terceira Divisão nacional, o Doce Mel pega o Estanciano-SE, também às 15h, mas no domingo.
Da proibição do esporte há 40 anos até a obrigação de cada clube masculino da Série A ter seu correspondente feminino e ao menos uma categoria de base, o mundo e o Brasil, de forma geral, evoluíram nesse aspecto. Porém, a Bahia caminha no sentido contrário desse movimento. Em 2021, o estado tinha três representantes, com o Vitória e o Juventude na Segunda Divisão e o Esquadrão de Aço figurando na elite. No sábado, 11, o Tricolor vai começar sua caminhada para voltar à Primeira Divisão e o Doce Mel disputará a inédita Série A3.
Os dois clubes terão missões bem diferentes para atingir o mesmo objetivo. O Tricolor foi colocado em um dos quatro grupos da Série A2, cada um com quatro equipes, contabilizando 16 no total. Esses grupos jogam entre si em um sistema de ida e volta e os oito melhores (os dois primeiros colocados de cada grupo), avançam para a fase eliminatória. No mata-mata, os times se enfrentam em ida e volta até a final do campeonato. Os quatro primeiros ficam com a vaga, logo, quem vencer a primeira partida eliminatória já estará garantido na Primeira Divisão de 2023.
Para o Lobo-Guará, o caminho é outro. O Doce Mel vai disputar desde o princípio um mata-mata, no qual as 32 equipes participantes se enfrentam em confrontos de ida e volta. Os 16 times que saírem vitoriosos dos duelo continuam sua jornada e jogam até a final. Os quatro primeiros sobem para a Série A2.
Sucesso de público
O ano de 2022 já marcou diversos recordes, sem contar as grandes audiências medidas na tevê, o público nos estádios nunca foi tão grande. Em um contexto mundial, o ‘El Clásico’ válido pela Champions League de 2022, entre Barcelona e Real Madrid, chegou à marca de 91.553 pessoas e estabeleceu um novo recorde. Logo depois, o próprio Barça superou esse limite. Foram 91.648 que acompanharam a vitória dos Culés por 5 a 1 contra o Wolfsburg. Esse foi o maior público da história do futebol feminino.
No Brasil, o Campeonato Paulista se destacou nesse aspecto. A final do Paulistão, entre Corinthians e São Paulo, na NeoQuímica Arena, chegou a 30.077 presentes, estabelecendo o recorde brasileiro de público. A decisão ultrapassou o público da final do Campeonato Paulista de 2019, disputada no mesmo lugar, entre as mesmas equipes.
Tradição e continuidade
Representantes do estado no cenário nacional, Bahia e Doce Mel vão começar o Brasileirão em contextos opostos. Depois do rebaixamento para a Série B do futebol masculino, o Esquadrão decidiu paralisar as atividades da modalidade feminina até abril, por conta da falta de torneios para disputar e pela queda no orçamento do clube. Na época, a zagueira Aila se pronunciou em suas redes sociais e disse ser “um dos dias mais tristes de sua vida”. Contudo, Vitor Ferraz, vice-presidente do Bahia, argumentou que ninguém foi dispensado do clube.
“Na realidade, o clube não dispensou nenhuma atleta. As que tinham contrato vigente continuaram vinculadas ao clube, salvo aquelas que tiveram propostas para ir para outros clubes e pediram as liberações e as atletas que não tiveram os contratos renovados. Essa medida foi necessária por uma questão da adequação do clube à sua realidade financeira e considerando que a equipe feminina iria ficar cinco meses sem disputar nenhuma competição, então, foi uma necessidade. A nossa previsão é de que após o Campeonato Brasileiro, independentemente do resultado, a gente possa disputar o Baianão”, argumentou.
Ainda de acordo com o vice-presidente, a meta é buscar o acesso e investir de maneira mais robusta no clube, em geral, com a recuperação econômica da instituição.
No contexto do Doce Mel, o clube firmou uma parceria que já tem tradição no contexto baiano e que pode render frutos, mas que tem como objetivo o longo prazo. Quem está no comando técnico do elenco é Tinho, que explicou todo o processo com as jogadoras até chegar à disputa do Brasileirão A3.
“O nosso trabalho começou há mais de uma década, quando fundamos o Jequié Esporte Clube para disputar competições, na época de futsal. Somos o maior vencedor de futsal feminino da Bahia nas categorias de base e um dos principais times feminino adulto, como Jequié Esporte Clube. Em 2021, fizemos uma parceria com o Doce Mel, conseguimos o vice-campeonato do estado e consequentemente a vaga no Campeonato Brasileiro, a Série A3, que também é uma competição inédita, já que antes tínhamos somente as séries A1 e A2”, valorizou.









