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A Bombonera tem uma mística fácil de ser compreendida. Bastou ver a festa dos torcedores do Boca Juniors antes do apito inicial que o clima de semifinal da Copa Sul-Americana ficou ainda maior. Mas o Vasco entrou num dos estádios mais emblemáticos da América do Sul como se estivesse jogando em casa. A equipe de Pedro Emanuel, com o apoio da torcida vascaína, calou a Bombonera, bateu o time argentino por 1 a 0, e conquistou uma vitória histórica.

A atuação do Vasco desde o primeiro minuto fez com que uma das atmosferas mais temidas do continente se tornasse completamente morna ao longo da partida. O Vasco demorou cerca de quatro minutos a entrar de fato na partida, após três minutos naturais de pressão do time argentino. Depois, mandou no primeiro tempo com uma maturidade gigante.

O Vasco abriu o placar aos 25 minutos com uma ótima trama pela esquerda, com cruzamento de Gómez e gol de cabeça do baixinho Adson, o destaque do time nesta Sul-Americana. Reserva no Brasileirão, o atacante foi decisivo mais uma vez no torneio, o que mostra a qualidade do elenco vascaíno e também a forma que Pedro Emanuel tem dado oportunidades a todos.

O time do técnico português colocou a bola no chão e não abdicou de suas identidades. Sosa entre os zagueiros funcionou perfeitamente mais uma vez, com Lescano e Thiago Mendes ditando o ritmo do time no primeiro tempo. Adson teve liberdade para flutuar e apareceu por todos os lados do campo.

Depois do gol do Vasco, só se ouviu a torcida vascaína na Bombonera, além dos membros da “La 12”, principal organizada do Boca, que cantou no mesmo ritmo até depois do apito final. Com mais capricho, o time poderia ter jogado ainda mais água fria na torcida argentina, mas Paulo Henrique desperdiçou a chance do 2 a 0 no início do segundo tempo, após linda tabela com Adson.

Após essa chance, a torcida do Boca acordou para a partida. E o time argentino também. Em três minutos, o jogo mudou. Blanco acertou a trave em cruzamento, e Gómez foi expulso de maneira totalmente infantil ao reclamar com a arbitragem. Este foi o pior momento do Vasco na partida.

Dali em diante, restou ao Vasco resistir à pressão do Boca. Ascacibar finalizou no travessão, Blanco cruzou e a bola passou por toda o ataque sem ninguém empurrar para o gol. Aos poucos, a torcida que havia se empolgado passou a demonstrar impaciência, principalmente após o chute de Merentiel que explodiu em Robert Renan quando estava prestes a entrar no gol. Não era o dia do Boca.

Era a noite do Vasco e dos milhares de vascaínos que tomaram as ruas de Buenos Aires nos últimos dias e todos os espaços disponíveis na Bombonera nesta terça-feira. Foi a noite da dupla de zaga Robert Renan e Saldivia, do volante Sosa e do atacante Adson. Foi a noite que milhões de vascaínos sonharam neste século. A noite em que o Vasco venceu o Boca na Bombonera numa semifinal continental.

Nas ruas da Argentina, o que mais se ouviu da boca dos torcedores foi a sensação de que a viagem para Buenos Aires já era um dos primeiros passos de uma nova era do Vasco, com a expectativa da chegada da nova SAF e um elenco competitivo depois de anos. Uma vitória deste tamanho é um ótimo sinal. A classificação para a final da Sul-Americana pode ser ainda mais. O Vasco está a um empate de uma final continental.