Projeto de lei que transforma clubes em empresa ganha força
R7

No último dia 1º, o então presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, foi derrotado na disputa para fazer seu sucessor. Quatro dias depois, ele viu seu Botafogo ser o primeiro rebaixado do Brasileirão de 2020.
A relação do futebol com a política no Brasil novamente voltou à pauta do dia, em uma época na qual a economia tem falado mais alto. E colocado, em termos futebolísticos, o país em um patamar internacional semelhante ao que tinha poucos anos antes da profissionalização do futebol, em 1935, quando o jogador brasileiro era visto como talentoso, mas o futebol não assustava franceses, espanhóis, tchecos, iugoslavos, italianos, uruguaios e argentinos.
Com a profissionalização, o Brasil começou a se tornar o “País do Futebol”, após os clubes se estruturarem melhor e o jogador ganhar confiança para desempenhar seu futebol. E assim permaneceu durante algumas décadas.
Esta ligação, entre esporte e bastidores de Brasília, tem forjado a própria identidade do brasileiro, do Oiapoque ao Chuí. Até o alheio ao futebol, afinal, se envolve com o clima nacional em dia de jogo do Brasil na Copa. Sente pelo menos uma ponta de tristeza com a derrota e surfa no clima positivo da vitória.
Políticos também amam seus clubes. E, nesta atmosfera apaixonada, craques da bola muitas vezes são recebidos no Congresso, para algum depoimento ou homenagem, como heróis, fazendo os congressistas se transformarem em tietes.
Maia é um dos idealizadores de uma lei, na Câmara dos Deputados, para transformar os clubes brasileiros em Sociedades Anônimas. Esta lei foi base para uma outra, em pauta no Senado, de autoria do atual presidente da casa, Rodrigo Pacheco.
A possibilidade da aprovação da lei ganha força em um momento no qual o futebol brasileiro precisa novamente se reinventar. Com os clubes da Série A e B acumulando mais de R$ 8 bilhões em dívidas, tendo uma receita bem menor do que tal valor.
Uma verdade se apresenta com força, neste momento. Muitos clubes tradicionais, vistos como grandes, não podem mais ser administrados como se tivessem a dimensão de outrora, diante da falência financeira que só não é formalizada porque não são empresas.
Todos, com exceção do Flamengo, não têm conseguido administrar seus passivos e apenas uns poucos, como Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Grêmio ainda têm, em função das receitas por causa da popularidade, status de grandes, do ponto de vista de negócio, segundo muitos estudiosos de marketing.









