:: ‘MULHERES’
Mulheres querem reforçar questão de gênero no Plano Estadual de Educação
Ascom da Deputada

A Comissão dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa da Bahia promoveu audiência pública nesta quarta-feira (19) com o objetivo de conhecer a abordagem da questão de gênero no Plano Estadual de Educação, cujo texto será encaminhado pelo governo do Estado para apreciação e votação pelos deputados. A atividade foi proposta pela presidente da Comissão da Mulher, deputada estadual Fabíola Mansur, e contou com a participação de militantes feministas ligadas a diversos movimentos sociais.
A parlamentar destacou que uma das missões da Comissão da Mulher é justamente servir de ponte entre os movimentos organizados e os governos no sentido de oferecer contribuição ao aperfeiçoamento da legislação estadual e fortalecer as políticas públicas voltadas à garantia dos direitos das mulheres. “A educação é instrumento fundamental nessa nossa trajetória em busca da igualdade de gêneros. O objetivo hoje é conhecer o plano estadual de educação e oferecer sugestões antes mesmo de o governo encaminhar o texto definitivo para esta Casa”.
Participaram do debate a superintendente municipal de Políticas para Mulheres, Mônica Kalili; a presidente do Conselho Municipal de Mulheres, Madalena Noronha; a defensora pública Firmiane Venâncio; a sindicalista da APLB, Clarice Santos, a membro do Fórum Estadual de Educação, Alda Muniz Pepe, a Ouvidora-Geral da Defensoria Pública, Dra. Vilma Reis, além do professor Nildon Pitombo, diretor do Insituto Anísio Teixeira, representando o Secretário de Educação do Estado, Oswaldo Barreto.
Depois de quase três horas de debates, foram encaminhadas diversas propostas que deverão seguir tanto para os deputados estaduais como para o Governo e às diversas Prefeituras baianas. Será solicitada à presidente da União dos Municípios da Bahia/UPB, Maria Quitéria, que encaminhe uma recomendação aos municípios solicitando dos mesmos a inclusão da questão de gêneros em seus planos municipais. Outra defesa foi de incorporação do manifesto em defesa dos direitos da mulher na Bahia e a favor da igualdade de gênero nos planos e políticas estaduais e municipais de educação. O documento foi assinado por mais de oitenta entidades.
Mulheres podem jogar futebol tão bem quanto os homens, diz estudo
Correio Brasiliense

As mulheres podem jogar futebol tão bem quanto os homens, embora os dois sexos tenham estilos diferentes de praticar o esporte. É o que mostra um estudo liderado por Julen Castellano, pesquisador da Faculdade de Atividade Física e Ciências do Desporto da Universidade do País Basco, em colaboração com especialistas de outras instituições europeias. O cientista comparou o desempenho físico e técnico de atletas masculinos e femininos, concluindo que, apesar de o primeiro grupo apresentar uma performance física melhor — como já era esperado —, as boleiras não devem nada em relação à performance técnica. O trabalho foi divulgado recentemente na revista científica ‘Human Movement Science’.
Castellano e colegas coordenaram um longo e minucioso monitoramento de 113 jogadores profissionais (59 mulheres e 54 homens) durante a Champions League, campeonato organizado pela União das Federações Europeias de Futebol (Uefa). A técnica utilizada foi capaz de acompanhar os movimentos e o desempenho dos atletas nos 90 minutos de partida.
Os resultados mostram que, de maneira geral, em todas as posições, os homens percorrem uma distância muito maior durante as partidas. As mulheres, por sua vez, parecem jogar com níveis de intensidade mais elevadas. Em razão disso, elas apresentaram um cansaço maior no segundo tempo, tendo queda de rendimento. Nenhuma diferença significativa, contudo, foi encontrada quando se analisou questões técnicas, como número de passes, tempo de posse de bola e total de duelos ganhos.
O líder da pesquisa acredita que uma das aplicações práticas do estudo, a curto prazo, pode ser a adaptação da preparação física e técnica para cada sexo, de acordo com seu desempenho, com o objetivo de tornar a prática do esporte ainda mais dinâmica. Ele considera que, quando valores absolutos são usados como critério de referência para a comparação, “é possível cometer um erro ao subestimar o esforço feito pelo sexo feminino”. O futebol feminino, diz, não deve ser apenas “um espelho do alto desempenho do futebol masculino” e não deve tentar alcançar a velocidade, a intensidade ou a distância percorrida pelos homens. “Se ambos os sexos estão jogando o mesmo jogo, cada um deve fazer isso à sua maneira.”
Segundo o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano da Universidade Federal do Rio Grande Sul (UFRGS), Flávio Antônio de Souza Castro, diferenças de força, potência, resistência e velocidade são esperadas, devido a peculiaridades antropométricas, principalmente maior percentual de massa muscular e menor de gordura nos homens. “A técnica não depende, exclusivamente, das características fisiológicas já apontadas, mas também dos processos de aprendizagem motora”, explica Castro, também vice-diretor da Escola de Educação Física da UFRGS.
Para ele, quando a técnica é desenvolvida desde cedo, com processos adequados, é possível que, guardadas as diferenças de força, homens e mulheres possam ter desempenhos técnicos similares. Até se tornarem maduros, há poucas distinções fisiológicas entre meninos e meninas, que se acentuam a partir do amadurecimento.
Castro considera surpreendente a escassez de estudos desse tipo, já que a Europa e os Estados Unidos possuem muitos times e boa tradição no futebol feminino, praticado desde a fase escolar pelas garotas. Ele acrescenta que, no Brasil, características nacionais relativas ao preconceito de gênero contribuem para a menor visibilidade da prática pelas mulheres. “Ainda há muito preconceito em relação ao futebol feminino. Cabe aos educadores, aos órgãos de organização e de controle e à mídia trabalhar para que esse preconceito acabe.”
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