Federação alerta para ‘ameaça existencial’ ao futebol feminino
Globo Esportes

Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol (FIFPro) demonstrou preocupação com o impacto da pandemia de coronavírus no futebol feminino. Em documento publicado nesta quinta-feira, a entidade coloca que o Covid-19 atingirá com mais força aqueles que já estavam situados em condições precárias, com poucos recursos e com poucas reservas a recorrer. Nesse meio, está a modalidade. No estudo, há inclusive o temor de que a situação atual represente uma “ameaça quase existencial” ao jogo das mulheres, se não houver considerações para proteger a indústria do futebol feminino. E cita as ligas profissionais menos estabelecidas, baixos salários, menor escopo de oportunidades, acordos de patrocínio desiguais e menos investimento corporativo como pontos negativos, enfraquecendo o ecossistema da modalidade.
A FIFPro também salienta que a falta de contratos escritos, a duração de curto prazo dos acordos de trabalho, a falta de seguro de saúde e cobertura médica e a ausência de proteções básicas e direitos deixa muitas jogadoras – algumas das quais já estavam à margem – em grande risco de perder seus meios de subsistência. Sinais desse impacto da pandemia já começaram a ser sentidos em janeiro de 2020 quando as eliminatórias asiáticas para os Jogos Olímpicos acabaram sendo transferidas de Wuhan, na China, para Sydney, na Austrália, justamente pela quarentena aplicada no primeiro local. O efeito dominó se seguiu com torneio amistosos de seleções sofrendo alterações em março. O Brasil precisou jogar com portões fechados diante do Canadá no Torneio da França. Em Portugal, a Itália teve que abrir mão da final.
Ainda, de acordo com a FIFPro, as jogadoras começaram a ter preocupações em relação às mensagens que recebiam de seus clubes. Em relatos à organização, disseram que há uma disparidade na maneira como as atletas estão recebendo as informações sobre o atual momento e a situação em suas equipes. Algumas recebem atualizações frequentes, enquanto outras quase nada. A entidade salienta:
“Deixar essas pessoas-chave isoladas em um momento tão perigoso não é apenas decepcionante, mas também míope no desenvolvimento de uma indústria justa e sustentável a longo prazo”.
A FIFPro coloca que é vital o esclarecimento para o bem estar mental das atletas, que já convivem com uma carreira incerta muitas vezes e também curta. Há ainda a preocupação com as jogadoras que estão fora de seu país de origem e, por isso, nesse momento de receio, podem estar mais frágeis justamente por não assegurarem respostas concretas. A entidade salienta que muitas já tiveram experiências com clubes anteriores à beira da falência ou em incerteza em torno de salários e, por aguentarem isso, fizeram parte do crescimento da indústria do futebol feminino e a transição para a profissionalização.









