Globo Esportes

A parada no futebol mundial reverbera com uma série de desafios para o mercado do esporte. A um mês do final das competições europeias, as negociações começariam a tomar forma com milhões de euros em movimentação. Mas a pandemia de coronavírus colocou diversos clubes em compasso de espera e freou as negociações por jogadores, com reflexos também para os clubes brasileiros.

Os impactos nas receitas dos clubes são inevitáveis. Patrocínios param de entrar, cotas de competições desaparecem, sem jogos não há bilheterias… O fluxo de caixa acaba afetado. As receitas extraordinárias, como são classificadas as vendas de atletas no balanço dos clubes, seriam fundamentais nesse momento, mas o mercado todo está parado.

O empresário Vinicius Prates, com clientes como Jair, do Atlético-MG, e Leandro Damião, atualmente no Japão, vê uma situação difícil especialmente em clubes que não cumprem os seus orçamentos. Em entrevista ao GloboEsporte.com, ele diz que o mercado do futebol está congelado e manifesta preocupação com o futuro.

Os exemplos saltam aos olhos. O atacante Pepê, do Grêmio, por exemplo, é alvo de diversos clubes da Europa. Entre eles o Bayern de Munique, com o qual o estafe do atleta iria se encontrar durante o mês de abril. Encontro, claro, cancelado por conta da pandemia do novo coronavírus.

No outro lado de Porto Alegre, Inter já suspendeu as conversas com o meia argentino Cervi, do Benfica. Pedido direto de Eduardo Coudet, seria uma possível contratação para rechear o setor ofensivo. No entanto, a pandemia esfriou as conversas e, por conta do reflexo financeiro no clube, praticamente descartou a possibilidade para o futuro.

No São Paulo, Igor Gomes passa por situação semelhante. O meio-campista é seguido de perto pelo Real Madrid, que aguarda os arranjos dos mercados para reativar as conversas pelo jogador de 21 anos, conforme revelou o repórter André Hernan (veja abaixo). O clube paulista ainda viu o Barcelona atrasar o pagamento de R$ 5,5 milhões em parcela da opção de compra pelo atacante Gustavo Maia.

Algo parecido ocorre no Palmeiras. O clube paulista tinha uma reunião marcada com o Bahia para tratar do volante Gregore, conforme havia revelado o Blog do PVC. O empresário do meio-campista, Edson Khodor, no entanto, confirma que o encontro não ocorreu por conta da pandemia. As tratativas esfriaram a partir da parada do futebol.

Em busca de reforços, o Botafogo mirou nomes internacionais em negociação antes da pandemia se espalhar pelo mundo. O marfinense Yaya Touré era o alvo prioritário, mas inicialmente havia recusado a proposta feita pelo Alvinegro. Depois, o próprio jogador afirmou que vai “esperar o vírus passar” para definir o futuro.

A partir da desistência de Touré, o Botafogo entrou em contato com o nigeriano Obi Mikel, ex-Chelsea. O meio-campista é outro que mantém conversas com o clube alvinegro, mas a negociação também caminhou para uma indefinição.

O “efeito dominó” também atinge os empresários. Responsáveis por “girar a roda” com negociações, os agentes acabam impactados, já que pouco se consegue trabalhar com o calendário suspenso aqui no Brasil e no principal mercado comprador, a Europa.

Até o Flamengo detectou a necessidade de diminuir o ritmo nas negociações para a renovação do técnico Jorge Jesus. O executivo Bruno Spindel admitiu que a parada por conta do coronavírus “tirou um pouco do foco” da conversa para ampliar o vínculo do português.

Os clubes, em geral, já começam a esperar um mercado diferente no retorno às atividades. O CEO do Grêmio, Carlos Amodeo, por exemplo, espera uma adequação nos valores absolutos nas negociações a partir do retorno do futebol. Outros agentes brasileiros também avaliam que as quantias até pouco tempo praticadas ficarão inviáveis.

Na Europa, a incerteza também se alastra. O lateral-esquerdo Alex Telles, do Porto, é um dos nomes cobiçados no mercado. Antes da parada, PSG, da França, e Chelsea, da Inglaterra, apareciam como possibilidades. As conversas, a partir da pandemia, diminuíram consideravelmente.