CBF não fiscaliza, e jogadoras ficam sem salário mesmo com ajuda aos clubes
Terra

Com a pandemia de coronavírus, os campeonatos de futebol foram suspensos em todos os níveis e, depois de algumas discussões com uma comissão de clubes (formada apenas por representantes do futebol masculino), a CBF decidiu repassar uma verba considerável para ajudar equipes das divisões inferiores do Brasileiro e também do futebol feminino. O problema é que não houve uma prestação de contas exigida pela entidade e já começam a chegar denúncias sobre atletas que ficaram sem receber salário, mesmo após a ajuda financeira da confederação.
Jogadoras e comissão técnica do Audax, equipe da primeira divisão do Campeonato Brasileiro feminino, receberam apenas metade de seus salários em abril (referentes a março) e foram informadas que seus vínculos foram suspensos. O clube comunicou ainda em março ao treinador da equipe que não pagaria mais as jogadoras (enquanto o campeonato não voltasse) e que elas estariam liberadas para negociar com outros times nesse período. A CBF confirma que fez o direcionamento da verba ao Audax, que já recebeu os R$ 120 mil para manter a equipe feminina, de acordo com as determinações da entidade. O valor seria suficiente para garantir 5 meses de pagamento a todo o elenco e comissão técnica – a.folha salarial do clube no feminino é de R$ 22 mil. O dinheiro, porém, não chegou até as jogadoras.
O clube alegou que “não havia nenhuma exigência de que esse dinheiro fosse destinado ao futebol feminino”. Em contato com a reportagem, Gustavo Teixeira, filho do dono do Audax e um dos responsáveis pela administração do clube, enviou o recibo que a CBF deu aos clubes pela verba comprovando que, nele, não havia qualquer menção ao futebol feminino. O documento diz que o clube recebeu R$ 120 mil “referente ao apoio financeiro emergencial e excepcional concedido em razão da pandemia COVID-19”.
O valor do salário (que, na verdade, é considerada ajuda de custo, já que nenhuma das jogadoras é registrada) varia de R$500 (caso da maioria das atletas) a R$1.000. No dia 5 de abril, o clube depositou para elas apenas metade desse valor, considerando os dias de trabalho das jogadoras apenas até o dia 16 de março, quando o campeonato paralisou. Elas também não receberam valores referentes aos 10 dias que trabalharam em janeiro (quando os treinos da equipe voltaram).
Na nota divulgada no site oficial da CBF sobre os recursos que seriam destinados aos clubes, a entidade afirma que o objetivo com o repasse “é colaborar para que esses clubes possam cumprir seus compromissos com os jogadores e jogadoras durante o período de paralisação do futebol”.
Mas o problema da ajuda é que não foi exigida nenhuma contrapartida dela. Os clubes que receberam o chamado “auxílio emergencial” não precisam dar qualquer comprovação do uso dos recursos para o pagamento dos salários dos atletas. Sendo assim, como garantir que esse dinheiro chegará para eles?.
Em nota, a CBF afirmou à reportagem que “os clubes das séries A1 e A2 do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino receberam da CBF auxílio financeiro emergencial para cumprirem suas obrigações relacionadas à modalidade, especialmente para assegurar o pagamento e manutenção das atletas. O auxílio foi calculado pela média dos salários registrados das atletas para as competições que disputam. Porém, a entidade não tem ingerência na administração interna dos clubes”.









