Telê temia gastos com mulheres e carros, “fez bullying” e chorou depois
Uol

Além do feriado de Tiradentes, 21 de abril marca também a data que Telê Santana da Silva, ou simplesmente Telê Santana, faleceu em Belo Horizonte, vítima de complicações de uma infecção intestinal. Telê morreu em 2006, aos 74 anos, deixando como principal legado seu estilo perfeccionista e altamente exigente, mas que não abria mão do futebol arte e da disciplina, capaz de conquistar admiradores e até discípulos, mesmo aqueles que já sofreram na mão do treinador.
Para tirar o melhor dos seus atletas, Telê acompanhava de perto garotos e veteranos. A ‘marcação’ era cerrada também longe dos treinamentos, nas orientações sobre o futuro e o comportamento fora de campo. Às vezes, o técnico recorria à pressão psicológica em plena Copa do Mundo como forma de preparar seus atletas antes dos momentos decisivos. Nada que prejudicasse sua relação com os jogadores e que hoje ainda são vistas como lições importantes para alcançarem o rendimento esperado pelo técnico.
Não foram só as cobranças por profissionalismo em campo que fizeram de Telê um grande técnico. Fora dele, o comandante também se preocupava com o futuro dos seus atletas e como eles gastavam seus salários, sendo contrário aos gastos com baladas e carros luxuosos. Até o tipo de cabelo poderia ser vetado por Telê, se ele interpretasse que o penteado poderia tirar o atleta dos trilhos. Isso aconteceu com o ex-atacante Macedo, que ganhou praticamente tudo pelo São Paulo Telê.
O primeiro caso aconteceu com o volante Elzo. Considerado o ‘patinho feio’ daquela seleção, o jogador levou uma sonora bronca do técnico em pleno vestiário, incluindo ameaças de corte. A humilhação sofrida fez Elzo chorar e cogitar deixar o grupo, mas acabou surtindo o efeito que Telê queria. O volante permaneceu, foi bancado pelo comandante e terminou a Copa do México como titular.
Naquela mesma Copa, o lateral Josimar também viveu situação parecida. Convocado após a dispensa de Leandro, ele herdou a vaga de titular com a lesão do Edson. Mas Josimar foi praticamente ignorado por Telê nos treinamentos, mesmo com os excessivos treinamentos em busca de um elogio do treinador..
Aconselhado por Zico e Sócrates, Josimar não abaixou a guarda e acabou estreando com um golaço — vitória por 3 a 0 sobre a Irlanda do Norte —, além de ser recebido com um abraço e vários elogios do técnico após o primeiro jogo. Na segunda partida, ainda mais solto, o lateral acabaria fazendo outro golaço — goleada de 4 a 0 sobre a Polônia, pelas oitavas de final. No final daquele Mundial, o jogador foi eleito o melhor em sua posição.









